***Alessandra!***

Saturday, December 29, 2007

"Minha Vida Sem Mim"



O que você faria se recebesse a notícia de que tem apenas dois meses de vida?

Esse é o tema central do comovente "Minha Vida Sem Mim", produzido por ninguém menos que Pedro Almodóvar.

Ann (Sarah Polley) é uma batalhadora jovem de 23 anos, que foi precoce em tudo na vida, especialmente na constituição de sua família. Foi mãe aos 17 anos, e novamente aos 19, e vive com o sossegado marido Don (Scott Speedman) e as encantadoras filhinhas em um trailer no quintal da casa de sua perturbada mãe (Debbie Harry). Trabalha à noite como faxineira em uma Universidade e, embora seja bastante reservada, tem como melhor amiga uma paranóica companheira de trabalho, Laurie (Amanda Plummer).

Repentinamente Ann começa a sentir enjôos e ter desmaios freqüentes. Desconfia estar novamente grávida, mas ao procurar um médico recebe a trágica notícia de que tem um tumor. O médico lhe explica que, por ser muito jovem não há possibilidade de cura, já que suas células são rápidas demais e o tumor já está se alastrando por todo o corpo. O médico lhe dá uma expectativa de dois meses de vida.

Ao contrário do que seria previsível diante da proximidade da morte, Ann decide não contar a ninguém seu destino, tentando ser objetiva para fazer tudo o que for possível no tempo que lhe resta. Elabora então uma lista de "coisas a fazer antes de morrer", lista essa que inclui transar com outro homem para ver como é, dizer o que pensa sobre as pessoas, arranjar uma nova mulher para o marido e gravar mensagens de aniversário para as filhas.

Competentemente, Ann vai cumprindo suas "tarefas", sem cair na autopiedade. Conhece um homem que se apaixona por ela (Mark Ruffalo, encantador), e inicia com ele uma tórrida e ao mesmo tempo doce relação de paixão e amizade. Enquanto isso, grava dezenas de fitas com mensagens para os aniversários das filhas.

Pelo breve resumo acima, poderíamos achar que se trata de mais um filme sentimentalóide sobre vida e morte, cheio de clichês e apelos para conduzir ao choro fácil. Mas não é o caso. Embora trate de um assunto triste, "Minha Vida Sem Mim" possui um roteiro delicado que se limita a contar a "história" de Ann, sem utilizar-se de excesso de sentimentalismo, comum a dramas dessa natureza.

Achei que Sarah Polley está ótima e contribuiu muito para o bom resultado final. Ela é uma atriz jovem e bonita, e mostrou neste trabalho que tem também muito talento. Conseguiu conduzir a personagem durante seus dias "pré-morte" com objetividade, sinceridade e leveza, o que torna o filme marcante para quem o assiste.

Aliás, momentos marcantes não faltam na fita e fui particularmente tocada pela relação que Ann mantém com seu novo amante, principalmente porque há uma sinceridade mútua muito bonita, uma cumplicidade que Ann não tem como o marido, embora o ame, e através desta relação é como se ela conseguisse completar algo de vazio que existia em sua vida, o que é recíproco da parte do rapaz.

Enfim, "Minha Vida Sem Mim" é feito com competência, deixando leve (ainda que triste) um tema muito trágico. Não foi à toa que Almodóvar aceitou produzi-lo. Não perca!

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